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terça-feira, 16 de maio de 2017

A Cabana - Mensagem bonita em meio a contradições


Eu não fui ver o filme ainda, embora esteja em cartaz nos cinemas aqui de Valença. Li o livro recentemente. Eu tenho ficha na biblioteca municipal, onde sempre pego livros porque já li todos os que tenho até agora. Foi lá que emprestado "A Cabana" e o terminei em poucos dias.
A leitura é gostosa e fui bem. A mensagem é positiva e educativa.
Mas... percebi que o autor coloca o seu modo de pensar como se fosse uma verdade máxima em que todos deveriam acreditar e se apegar.
Ao mesmo tempo que derruba alguns conceitos da Bíblia, especialmente do Velho Testamento com aquele Deus cheio de ira e castigos que destrói, amedronta e assusta (o Deus de "A Cabana" é exatamente o oposto disso), por outro lado impõe certos dogmas aos quais eu particularmente sou contrária como essa história de Adão e Eva, mulher nascendo da costela do homem (afff!), trindade, etc. A propósito, a trindade do livro é bem interessante. 
(SPOILERS)
Deus em forma de uma mulher negra, o Vento (que seria o equivalente ao Espírito Santo) é uma mulher oriental pequena e etérea, e Jesus um israelita feioso e narigudo. E pra completar ainda tem uma quarta "parte" de Deus que seria sua justiça e sabedoria personificadas em forma de uma mulher alta e muito bonita com traços hispânicos. Só no final Deus ("Papai") se apresenta em forma do velho de cabelos brancos que o personagem imaginara como sendo a aparência de Deus. 
Eu posso aceitar isso como uma metáfora, ou um simbolismo pra ensinar uma mensagem sobre preconceito. Deus, que não tem forma nem sexo, resolve aparecer como uma mulher e de raça negra! Que desaforo para os preconceituosos! Jesus feio? Espírito Santo uma mulher também e oriental?
Gostei disso! Como disse, como simbologia e mensagem, eu aceito. 
Pelo que uma amiga me contou do filme, parece que modificaram uma coisa muito importante. Não sei se ela entendeu errado ou se ela entendeu certíssimo e pra variar mudaram o sentido do livro completamente e sem um motivo que justificasse tal mudança! Fizeram o mesmo com "O Caçador de Pipas" e eu, que já tinha lido o livro, odiei o filme!
No livro, o acidente com Mack acontece quando ele VOLTA da cabana após ter tido lá (na cabana) o sonho-real que mudou sua vida. Distraído pensando em tudo que aprendeu aquilo que no sonho foram dois dias (e na vida real apenas algumas horas ou minutos que ele tivera adormecido na Cabana) ele não olha o cruzamento e acontece uma acidente onde ele quase morre. No filme, pelo que me foi contado, ele não esteve na Cabana! O acidente aconteceu quando ele estava INDO para a cabana e tudo foi fruto de um coma. Absurdo! Muda completamente o sentido da história. No fim do livro é dito que ele retornou a cabana várias vezes, inclusive com a esposa. Como puderam excluir no filme o detalhe mais importante e determinante da história? Esse é um dos motivos pelos quais não estou muito interessada em ver o filme. Talvez quando sair em DVD eu veja, não sei...
Mas voltando ao livro onde está a história completa e correta...
Algumas coisas ali me incomodaram, mas no geral, é uma história que toca os corações. Recomendo. Tirando um tom que as vezes parece meio doutrinário, o livro é bom e merece ser lido.  Mas se a pessoa lê-lo pensando que é uma história real, vai se decepcionar como aconteceu comigo. Quando comecei a ler a introdução, parecia que o autor estava falando de um amigo que tinha vivido mesmo aquela experiência. Mas no final fica claro que ele inventou aquela história com a ajuda de outras pessoas. É um teólogo protestante progressista (vamos assim dizer) e que não segue atualmente nenhuma religião ou igreja (nada contra, eu também não sigo e tenho minha própria religiosidade, da qual falo com mais detalhes aqui) e quis passar uma mensagem de amor, perdão, fé em Deus e em si mesmo e pacificação do ser humano. Válido, sem dúvida... Muito válido! Mas, repito, é ficção. Inclusiva diz isso na capa do livro.
"Ficção". Ou seja, não existe nenhum Mack e se existe certamente ele não vivenciou nada daquilo: não teve a filha morta por um assassino, não foi à cabana, não esteve com Deus.
Quem viu o famoso filme "O Todo Poderoso" com Jim Carrey provavelmente vai encontrar alguma semelhança com este livro/filme "A Cabana". Talvez o autor até tenha se inspirado um pouco nele (ou talvez não). A diferença é que o primeiro puxa pra comédia e o segundo para o drama. Mas no fim as mensagens são bem parecidas, a essência é a mesma.
Enfim, não é um livro perfeito. Mas se cada pessoa entender a mensagem principal e procurar colocá-la em prática no dia-a-dia com certeza a leitura terá valido (e muito) a pena, independente da pessoa ser religiosa ou não.

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